Cultura
Carnaval: segundo dia do Grupo Especial promete sacudir a Sapucaí
Cultura
Abram alas, pois mais um episódio da série sobre o Carnaval 2026 está passando. E hoje, vamos falar sobre o segundo dia de desfile das escolas do Grupo Especial. Logo de saída, acredite, o dia 16 de fevereiro promete. Então, você já sabe: alô bateria!”

Voltei por ti, pois sei que de todas as baterias não existe mais quente que a da Mocidade Independente de Padre Miguel. Abrindo os desfiles do Sambódromo, a Verde e Branco convida o mundo a se jogar no enredo ‘Rita Lee, a Padroeira da Liberdade’, em homenagem à cantora e compositora que rompeu os padrões da música.
Após a passagem da mutante do rock brasileiro, chega a vez da deusa da passarela sair da Baixada Fluminense em direção à avenida para cumprir sua missão: se manter como a campeã do carnaval. É a Beija-Flor de Nilópolis que aparece como um dos destaques do dia.
Pela primeira vez em 50 anos, não teremos o grito de guerra entoado por um dos intérpretes mais famosos da história: o Neguinho da Beija-Flor, que se aposentou no ano passado. Mas teremos a força do enredo ‘Bem-Bé’, em referência ao Bem-Bé de Mercado, a maior celebração do candomblé de rua no mundo, que ocorre todo dia 13 de maio na Bahia. Considerado patrimônio imaterial cultural do Brasil, o Bem-Bé foi criado em 1889 pelo pai de santo João de Obá como forma de resistência e preservação das tradições de matriz africana. Na avenida, a escola pretende resgatar a história de João de Obá, que há mais de 150 anos mostrou ao Brasil que nossa liberdade não depende de papel. Para o carnavalesco da Beija-Flor, João Vítor Araújo, a escola vem mais forte do que em 2025, ano do título. E parte dessa expectativa está ligada à importância da história de João de Obá que, segundo João Vítor, se assemelha à do lendário diretor de carnaval da Beija-Flor, Laíla, enredo do último desfile.
“A intenção desse enredo não é só trazer para o público essa história linda do maior candomblé de rua do planeta, mas mostrar que nessa história existiu o protagonista que lutou, rompeu barreiras, suportou todas as adversidades para tocar seu candomblé, para levar seu povo para a rua e lutarem pela sua religião. E aí a gente não tem como não traçar um paralelo do que era o Laíla na Beija-Flor de Nilópolis, que era um cara que brigava feito um leão pela sua comunidade”.
Chamem a Defesa Civil e protejam-se, pois após a Beija-Flor um furacão vermelho e branco irá balançar a Marquês de Sapucaí sob regência de um mestre que há décadas inova nas bossas executadas pelas baterias em seus desfiles. Para completar seus 80 anos de existência, a Unidos do Viradouro vai homenagear ninguém menos que Mestre Ciça.
Se eu for morrer de amor, que seja falando de Mestre Ciça, o maior mestre de bateria da história da Viradouro e um dos maiores do carnaval, homenageado no enredo ‘Pra cima, Ciça!’. O samba vai narrar um pouco da história de um revolucionário, parte importante dos títulos que a agremiação conquistou nos carnavais de 2020 e 2024. Apesar da identificação com a furacão vermelho e branco de Niterói, Ciça começou sua trajetória como passista na Estácio de Sá em 1971. De lá para cá, são mais de cinco décadas de avenida e 70 de vida. Esta é a primeira vez que a Viradouro homenageia um baluarte de sua história. O carnavalesco Tarcísio Zanon relembra que o momento da escolha do enredo foi muito especial para o Mestre Ciça.
“Não teria melhor escola para ele poder ser homenageado e nenhum momento melhor. Então, essas pessoas que amam o samba, que amam o mestre e que vão estar ali para reverenciá-lo e reverenciar a Viradouro também”.
A Unidos da Tijuca fecha o segundo dia de desfiles do Grupo Especial falando de muitas Marias que viram seus filhos crucificados. A agremiação segue a linha das homenagens com o enredo ‘Carolina Maria de Jesus’, uma das escritoras mais importantes do país, autora do livro autobiográfico ‘Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada’. Catadora de papel e moradora da Favela do Canindé, em São Paulo, a mineira Carolina, filha de pais analfabetos, alcançou fama mundial ao narrar o sofrimento da mãe que criou três filhos sozinha em meio à pobreza extrema, fome e o racismo. Ela morreu em 1977 aos 62 anos de idade.
Vamos chegando ao final de mais um episódio dessa série especial. E já adianto que vamos passear pelos manguezais, analisar as obras de um grande artista e muito mais. Mas esse é papo para um outro episódio.
*Supervisão de Vitória Elizabeth
Cultura
Viva Maria homenageia cantoras do rádio no Dia Mundial da Voz
Dedicamos esta edição de hoje às cantoras do rádio que desde sempre emprestaram a potência de suas vozes às mais lindas canções da nossa MPB. E coube a amiga poeta Galvanda Galvão, da Rádio Estamira, em Belém do Pará, prestar homenagem a uma dessas cantoras que é referência na história do rádio no Brasil.

“A voz, a história, a luz de uma estrela. Dalva de Oliveira. O maestro Heitor Villa-Lobos utilizava em suas aulas no Conservatório de Música, discos da cantora popular Dalva de Oliveira, como exemplo de agudos perfeitos. Vicentina de Paulo Oliveira nasceu na cidade paulista de Rio Claro em 5 de maio de 1917. Com 11 anos, para ajudar a mãe viúva, trabalhava em São Paulo como babá, arrumadeira, ajudante de cozinha e mais tarde cozinheira de hotel. Logo chegou ao rádio, numa travessia pelo teatro, pelo Brasil. Alternando rádio com espetáculos teatrais, conhece Elivelto Martins e se apresenta com ele e Nilo Chagas, a dupla Preto e Branco. O locutor César Ladeira os batiza de Trio de Ouro, contratado pela Rádio Mayrink Veiga e mais tarde pela Clube. O trio acumula sucessos Praça Onze, Ave Maria e Segredo.”
O rádio é esse espaço mágico, onde você imagina os corpos a partir das vozes, das entonações, dos vários sons, abertos para a imaginação. Então Dalva nunca estava sozinha, com Carmen Miranda, Marília Batista, Linda Batista, Hebe Camargo, Elisete Cardoso e Zimbo Trio, Dircinha Batista, todo o imaginário de vozes que nos atravessam até agora.
A história do rádio é esta grande invenção. Nós da Rádio Estamira para o programa Viva Maria, com a nossa queridíssima Mara Regia, aqui de Belém, do setor da Amazônia.
O nosso amigo rádio apaixonado do Tocantins, que na trilha do rádio tem um acervo precioso sobre a memória do Viva Maria, chega agora com uma homenagem mais do que especial.
Sou Cláudio Paixão, jornalista, e desde a minha infância acompanho a programação da Rádio Nacional da Amazônia. E no Dia Mundial da Voz é importante pararmos para ouvir o canto das Supermarias, que são a força e a expressão do programa Viva Maria, a caminho de seus 45 anos.
Engrossando o coro, em memória, o canto da feminista do sertão, dona Raimunda dos Cocos. “Essa luta não é fácil, mas vai ter que acontecer. As mulheres organizadas têm que chegar ao poder.” Felizmente, algumas dessas Supermarias conseguiram chegar ao poder. É o caso da ex-vereadora Cristina Lopes Afonso.
O programa Viva Maria está na minha vida desde 1986. Desde então, a gente segue com esse relacionamento. Mara Regia é uma mulher surpreendente, uma mulher que decidiu que as ondas do rádio iam, de fato, criar essa rede de proteção, essa rede de comunicação e essa rede de empatia, essa rede de alerta entre as pessoas, especialmente entre as mulheres.
De A a Z, impossível esquecer da parteira Maria Zenaide de Sousa. A mulher que nasceu aos 10 anos, porque parteira só nasce depois do primeiro parto. “Vamos dar valor a essas parteiras, vamos, vamos, vamos pessoal, pois são a pobreza dessas parteiras que desenvolve um trabalho tão legal.” Desde 1981, o Viva Maria viu nascer dezenas de lideranças e até hoje acompanha de perto o protagonismo delas. Algumas, como Kenya Silva, se redescobriram a partir da poesia.
De repente, eu crio coragem e envio essa poesia para Mara, contando toda essa trajetória. Mara Regia coloca a poesia no ar.
“Eu sou uma Maria qualquer, uma dessas mulher que vive na roça, que viaja de carroça, de cavalo ou a pé. Eu sou uma Maria qualquer, dessas que acorda cedinho, faz o bolo e o café, cuida da casa e do quintal, dos bichinhos, dos animais, que sustenta o Brasil de pé.”
E uma semana depois, a rádio tinha recebido uma enxurrada de cartas, as pessoas pedindo, as nossas Marias pedindo para ouvir novamente o poema, porque se diziam inspiradas, representadas.
Outras, como a trabalhadora doméstica Lucimar Ferreira da Silva, conquistaram seu lugar de fala, pela insistência em ouvir o Viva Maria, mesmo a contragosto de sua patroa, que não queria que essa Maria se transformasse numa militante por seus direitos.
“Minha patroa não gostava, porque disse que eu estava virando militante, que aquele programa estava fazendo muito minha cabeça, e mesmo assim eu ouvi.Foi muito importante, aprendi muita coisa com o Viva Maria, abriu a mente.”
Unidas para além da voz, da poesia, do choro e até pela indignação e protesto, as Supermarias querem ganhar a merecida visibilidade. E para isso, em nome da autoestima conquistada, querem que seus rostos, marcados por tantas lutas, se façam presentes neste ano que irá marcar a entrada do Viva Maria no novo ciclo de vida pelas ondas da internet.
-
Mato Grosso22 horas atrásRodrigo da Zaeli declara apoio a Wellington Fagundes e reforça força do PL em Mato Grosso
-
Mato Grosso2 dias atrásVice-presidente da Fecomércio, Tião da Zaeli participa de Fórum promovido pela LIDE MT em Cuiabá
-
Saúde6 dias atrásLula sanciona lei do marco regulatório da vacina contra o câncer
-
Entretenimento2 dias atrásAna Castela manda real sobre status de relação com Zé Felipe e responde se tem volta
-
Saúde5 dias atrásVírus sincicial também traz risco para idosos, alertam especialistas
-
Saúde2 dias atrásDoula: regulamentação reforça integração da categoria ao SUS
-
Cultura6 dias atrásCNJ lança programa para promover a cultura no sistema prisional
-
Cultura7 dias atrásFestival de documentários “É Tudo Verdade” começa nesta quinta-feira
