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Carnaval: Rio espera 8 milhões de foliões em blocos, bailes e desfiles

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O carnaval de rua do Rio de Janeiro deverá ter um público de 8 milhões de pessoas, com quase 7 milhões delas indo aos mais de 400 blocos carnavalescos na cidade. São esperados pelo menos 1,5 milhão de foliões no Sambódromo, Intendente Magalhães, Terreirão, Avenida Chile, Cinelândia e bailes populares. A informação foi divulgada nesta quinta-feira (5) pelo presidente da Riotur, Bernardo Fellows, durante a apresentação do plano operacional para o carnaval de 2026.

O Centro de Operações e Resiliência vai contar com 500 câmeras para monitorar, em tempo real, o movimento dos foliões. Desse total, 24 câmeras estarão na Sapucaí e nos acessos. Além disso, contará com três drones para monitorar a Passarela do Samba e a maior videowall da América Latina, transmitindo imagens em tempo real. O videowall é um sistema de visualização composto por múltiplos monitores ou painéis de LED organizados em conjunto para formar uma única tela gigante.

A mobilização especial de carnaval terá profissionais especializadas para oferecer suporte imediato para mulheres em casos de assédio e violência nos blocos. Também haverá postos de atendimento com psicólogas, assistentes sociais e advogadas. A secretária de Políticas para Mulheres, Joyce Trindade, cita outra forma de solicitar atendimento, que funciona 24 horas por dia.

“Em todos os locais com grande circulação de pessoas, teremos uma sinalização para que essa mulher possa pedir ajuda, que a direciona para o Mulher.Rio. Se não houver nenhuma equipe especializada no local, disponível para atendimento imediato naquele momento, ela consegue identificar qual é o ponto mais próximo onde pode pedir ajuda. Isso vale não só durante o carnaval, mas ao longo de todo o ano.”

Em virtude dos blocos, haverá interdições em diversas partes da cidade, principalmente no Centro. A prefeitura recomenda utilizar o transporte público. Nos dias de desfiles do grupo especial, as linhas de ônibus e o BRT vão circular 24 horas por dia. O metrô funcionará em horário ininterrupto, a partir das cinco da manhã na sexta-feira de carnaval até a quarta-feira de cinzas.  Já o VLT estará disponível das cinco da manhã até as onze da noite entre os dias 13 e 22.


Fonte: EBC Cultura

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Viva Maria homenageia cantoras do rádio no Dia Mundial da Voz

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Dedicamos esta edição de hoje às cantoras do rádio que desde sempre emprestaram a potência de suas vozes às mais lindas canções da nossa MPB. E coube a amiga poeta Galvanda Galvão, da Rádio Estamira, em Belém do Pará, prestar homenagem a uma dessas cantoras que é referência na história do rádio no Brasil.

“A voz, a história, a luz de uma estrela. Dalva de Oliveira. O maestro Heitor Villa-Lobos utilizava em suas aulas no Conservatório de Música, discos da cantora popular Dalva de Oliveira, como exemplo de agudos perfeitos. Vicentina de Paulo Oliveira nasceu na cidade paulista de Rio Claro em 5 de maio de 1917. Com 11 anos, para ajudar a mãe viúva, trabalhava em São Paulo como babá, arrumadeira, ajudante de cozinha e mais tarde cozinheira de hotel. Logo chegou ao rádio, numa travessia pelo teatro, pelo Brasil. Alternando rádio com espetáculos teatrais, conhece Elivelto Martins e se apresenta com ele e Nilo Chagas, a dupla Preto e Branco. O locutor César Ladeira os batiza de Trio de Ouro, contratado pela Rádio Mayrink Veiga e mais tarde pela Clube. O trio acumula sucessos Praça Onze, Ave Maria e Segredo.”

O rádio é esse espaço mágico, onde você imagina os corpos a partir das vozes, das entonações, dos vários sons, abertos para a imaginação. Então Dalva nunca estava sozinha, com Carmen Miranda, Marília Batista, Linda Batista, Hebe Camargo, Elisete Cardoso e Zimbo Trio, Dircinha Batista, todo o imaginário de vozes que nos atravessam até agora.
A história do rádio é esta grande invenção. Nós da Rádio Estamira para o programa Viva Maria, com a nossa queridíssima Mara Regia, aqui de Belém, do setor da Amazônia.

O nosso amigo rádio apaixonado do Tocantins, que na trilha do rádio tem um acervo precioso sobre a memória do Viva Maria, chega agora com uma homenagem mais do que especial. 

Sou Cláudio Paixão, jornalista, e desde a minha infância acompanho a programação da Rádio Nacional da Amazônia. E no Dia Mundial da Voz é importante pararmos para ouvir o canto das Supermarias, que são a força e a expressão do programa Viva Maria, a caminho de seus 45 anos.

Engrossando o coro, em memória, o canto da feminista do sertão, dona Raimunda dos Cocos. “Essa luta não é fácil, mas vai ter que acontecer. As mulheres organizadas têm que chegar ao poder.” Felizmente, algumas dessas Supermarias conseguiram chegar ao poder. É o caso da ex-vereadora Cristina Lopes Afonso. 

O programa Viva Maria está na minha vida desde 1986. Desde então, a gente segue com esse relacionamento. Mara Regia é uma mulher surpreendente, uma mulher que decidiu que as ondas do rádio iam, de fato, criar essa rede de proteção, essa rede de comunicação e essa rede de empatia, essa rede de alerta entre as pessoas, especialmente entre as mulheres.

De A a Z, impossível esquecer da parteira Maria Zenaide de Sousa. A mulher que nasceu aos 10 anos, porque parteira só nasce depois do primeiro parto. “Vamos dar valor a essas parteiras, vamos, vamos, vamos pessoal, pois são a pobreza dessas parteiras que desenvolve um trabalho tão legal.” Desde 1981, o Viva Maria viu nascer dezenas de lideranças e até hoje acompanha de perto o protagonismo delas. Algumas, como Kenya Silva, se redescobriram a partir da poesia. 

De repente, eu crio coragem e envio essa poesia para Mara, contando toda essa trajetória. Mara Regia coloca a poesia no ar.

“Eu sou uma Maria qualquer, uma dessas mulher que vive na roça, que viaja de carroça, de cavalo ou a pé. Eu sou uma Maria qualquer, dessas que acorda cedinho, faz o bolo e o café, cuida da casa e do quintal, dos bichinhos, dos animais, que sustenta o Brasil de pé.”

E uma semana depois, a rádio tinha recebido uma enxurrada de cartas, as pessoas pedindo, as nossas Marias pedindo para ouvir novamente o poema, porque se diziam inspiradas, representadas.

Outras, como a trabalhadora doméstica Lucimar Ferreira da Silva, conquistaram seu lugar de fala, pela insistência em ouvir o Viva Maria, mesmo a contragosto de sua patroa, que não queria que essa Maria se transformasse numa militante por seus direitos.

“Minha patroa não gostava, porque disse que eu estava virando militante, que aquele programa estava fazendo muito minha cabeça, e mesmo assim eu ouvi.Foi muito importante, aprendi muita coisa com o Viva Maria, abriu a mente.”

Unidas para além da voz, da poesia, do choro e até pela indignação e protesto, as Supermarias querem ganhar a merecida visibilidade. E para isso, em nome da autoestima conquistada, querem que seus rostos, marcados por tantas lutas, se façam presentes neste ano que irá marcar a entrada do Viva Maria no novo ciclo de vida pelas ondas da internet.


Fonte: EBC Cultura

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