Agricultura
Agronegócio comercializou R$ 73,7 bilhões em novembro. R$ 605 bi no ano
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As exportações do agronegócio brasileiro encerraram novembro em R$ 73,7 bilhões, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) compilados pela Consultoria Agro do Itaú BBA. O valor representa alta de 6% em relação ao mesmo período de 2024, sustentado sobretudo pelo avanço da soja, das carnes e do milho.
De janeiro a novembro, o agronegócio brasileiro já acumula R$ 605 bilhões exportados. A combinação de safra volumosa, demanda global consistente e ampliação de mercados reforça a posição do País como um dos maiores fornecedores mundiais de alimentos, fibras e bioenergia.
O comportamento distinto entre os principais produtos reflete o cenário internacional de ajustes nas cotações e de demanda ainda firme por alimentos, fibras e energia renovável.
O complexo soja voltou a ser o principal vetor de crescimento. Foram 4,2 milhões de toneladas exportadas, aumento de 64% sobre novembro de 2024. O preço médio permaneceu estável, em torno de R$ 2.394 por tonelada.
Entre os derivados, o farelo registrou 1,7 milhão de toneladas, ligeira alta de 2,5% nos volumes, mas com queda de 18% nos preços, agora em R$ 1.771/t. Já o óleo de soja, embora tenha recuado 47% em volumes (52 mil toneladas), apresentou valorização de 17% no preço médio, para R$ 6.234/t.
As exportações de carne bovina in natura seguiram em ritmo robusto, com alta de 40% nos embarques, que somaram 318,5 mil toneladas. Com preço médio de R$ 30.298/t, 13% acima do registrado um ano antes, a receita do mês alcançou R$ 9,63 bilhões.
As outras proteínas tiveram desempenho mais moderado. A carne de frango in natura caiu 6,5%, chegando a 377 mil toneladas, com preço estável (R$ 10.639/t). A carne suína recuou 14% no volume embarcado, totalizando 93 mil toneladas, e teve queda de 2% no preço médio, para R$ 13.742/t.
As exportações de etanol somaram 66 mil m³, retração de 38%, apesar da alta de 10% no preço médio, hoje em R$ 3.597/m³. No açúcar VHP, o volume caiu 4,2% e os preços recuaram para R$ 2.048/t, queda de 21%. O açúcar refinado avançou 13% em volume, atingindo 377 mil toneladas, mas com preço médio de R$ 2.280/t, 22% inferior ao de 2024.
O milho teve desempenho positivo: 5 milhões de toneladas exportadas, alta de 6,4% no comparativo anual, com preço médio 5,5% maior (R$ 1.185/t).
O algodão manteve ritmo forte, com alta de 34% nos embarques, totalizando 403 mil toneladas, embora com preços 12% menores (R$ 8.745/t). A celulose também avançou: 1,85 milhão de toneladas, alta de 14%, com preço médio levemente menor (R$ 2.793/t).
O café verde sofreu recuo de 26% nos volumes exportados, chegando a 212 mil toneladas, mas compensou parcialmente com forte valorização de 47% nos preços, agora em R$ 38.797/t. O suco de laranja teve queda de 20% no volume exportado e preço médio de R$ 18.931/t, baixa de 18%.
A decisão dos Estados Unidos de zerar tarifas para a maior parte dos produtos agrícolas brasileiros — medida válida desde 13 de novembro — ajudou a reaquecer o fluxo comercial no mês. As vendas do agro para o mercado americano somaram R$ 3,54 bilhões, alta de 19% em relação a outubro, ainda que permanecendo 57% abaixo do nível registrado em novembro do ano passado.
A isenção beneficia itens como carne bovina, café, suco de laranja e frutas frescas e secas, incluindo manga, castanha, mamão, banana e açaí. A expectativa é de recomposição gradual dos volumes nos próximos meses.
Fonte: Pensar Agro
Agricultura
Usina transforma dejetos suínos em combustível e abre nova frente de renda no campo
A geração de energia a partir de resíduos da produção animal começou a ganhar escala no Brasil com a entrada em operação da primeira usina de biometano da América Latina certificada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para uso de dejetos suínos. A planta está localizada em Campos Novos (350 km da capital, Florianópolis), no Meio-Oeste de Santa Catarina, uma das principais regiões produtoras de proteína animal do país.
O projeto recebeu cerca de R$ 65 milhões em investimentos e tem capacidade de produzir até 16 mil metros cúbicos de biometano por dia, combustível renovável que pode substituir o gás natural em aplicações industriais e veiculares. A iniciativa conecta geração de energia, tratamento de resíduos e renda adicional para produtores integrados à cadeia da suinocultura.
O Brasil abriga um dos maiores rebanhos suínos do mundo, com produção anual superior a 5 milhões de toneladas de carne, concentrada principalmente na região Sul. Esse volume gera uma quantidade significativa de resíduos, que historicamente representam passivo ambiental e custo de manejo. A conversão desses dejetos em biogás e, posteriormente, em biometano, muda essa lógica ao transformar resíduo em ativo econômico.
A usina opera com biodigestores do tipo CSTR, tecnologia que permite a decomposição controlada da matéria orgânica e a geração de biogás. Esse gás é então purificado por membranas até atingir pureza superior a 96%, padrão exigido para comercialização como biometano. A certificação da ANP garante rastreabilidade e viabiliza a inserção do produto no mercado formal de energia.
Além do combustível, o projeto gera subprodutos com valor comercial, como CO₂ de grau alimentício e biofertilizantes, ampliando o conceito de economia circular dentro da propriedade rural. Outro componente relevante é a emissão de créditos de descarbonização (CBios), que cria uma fonte adicional de receita atrelada à redução de emissões.
A iniciativa ocorre em um momento de expansão do mercado de biogás no país. O Brasil já conta com mais de 900 plantas em operação, segundo dados da Associação Brasileira do Biogás (ABiogás), mas a maior parte ainda voltada à geração elétrica. O biometano, por sua vez, representa uma etapa mais avançada da cadeia, com maior valor agregado e potencial de substituição de combustíveis fósseis.
Em Santa Catarina, a forte presença da suinocultura cria condições favoráveis para esse tipo de projeto. O estado é um dos principais produtores de suínos do país e concentra uma cadeia integrada, com cooperativas e agroindústrias estruturadas, o que facilita a coleta de resíduos e a viabilização econômica das usinas.
A expansão já está no radar. A empresa responsável projeta investimentos superiores a R$ 500 milhões no estado nos próximos anos, com novos projetos de biometano voltados ao aproveitamento de resíduos agropecuários.
Para o produtor rural, o modelo abre uma nova frente de receita e reduz custos ambientais. Ao integrar produção animal, geração de energia e fertilização do solo, o sistema cria um ciclo mais eficiente e sustentável, com impacto direto na rentabilidade da atividade.
O avanço do biometano indica uma tendência mais ampla no agronegócio brasileiro: a incorporação de energia à lógica produtiva. Assim como ocorreu com o etanol e o biodiesel, a geração de combustível a partir de resíduos deve ganhar espaço e se consolidar como mais um eixo de diversificação dentro da porteira.
Fonte: Pensar Agro
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