Opinião
A CPMI do INSS e a responsabilidade de proteger quem trabalhou a vida inteira
Opinião
*Coronel Fernanda
O Brasil convive há anos com uma ferida silenciosa: o roubo cotidiano, organizado e bilionário contra aposentados, pensionistas e servidores do INSS. Durante muito tempo, esse esquema avançou nas sombras, escondido atrás de associações fantasmas, descontos ilegais e mecanismos sofisticados de desvio. O resultado foi trágico mais de R$ 6,3 bilhões retirados de quem menos pode se defender.
Quando tomei conhecimento da dimensão dessas fraudes, não enxerguei apenas números. Vi rostos.
Os de pais, mães, avós. Gente que construiu este país com muito trabalho, e que, justamente na fase em que mais precisa de proteção, passou a ser alvo de criminosos. Foi diante dessa realidade que decidi apresentar a CPMI do INSS, a maior investigação já feita no Congresso sobre esse tipo de crime.
Ao longo deste ano, vimos algo que há muito o Brasil não via: uma investigação parlamentar que produz resultados concretos. A CPMI avançou porque teve coragem. Coragem de enfrentar interesses poderosos, coragem de expor estruturas enraizadas dentro do próprio Estado, coragem de não ceder à pressão política, especialmente de setores alinhados ao governo federal, que insistiram em minimizar ou tentar desviar o foco das investigações.
A verdade é que o desgoverno Lula falhou vergonhosamente em proteger os segurados do INSS. A negligência foi tamanha que o esquema se tornou sistêmico. Enquanto aposentados eram lesados todos os meses, enquanto associações inexistentes descontavam valores sem autorização, enquanto milhões sumiam em transferências suspeitas, o governo preferiu fechar os olhos. E onde o Estado se omite, o crime se organiza.
A CPMI demonstrou que é possível fazer diferente. Em poucos meses, aprovamos 21 pedidos de prisão preventiva, todos por unanimidade, um marco raro na história recente do Parlamento. Vimos figuras até então intocáveis serem responsabilizadas: dirigentes, operadores do esquema e agentes que lucraram às custas da dor alheia. Assistimos ao avanço das operações da Polícia Federal, da Advocacia-Geral da União e dos órgãos de controle, que agora trabalham para recuperar o dinheiro roubado.
Houve momentos simbólicos que mostram a força dessa investigação. Um deles ocorreu quando um depoente, ao vivo, recebeu a notícia de que seu pai estava sendo preso enquanto a sessão ainda acontecia. Aquela cena, dura e impactante, mostrou ao país que o tempo da impunidade acabou e que a CPMI não é um teatro político, mas uma ferramenta real de justiça.
Também não fugimos dos confrontos necessários. Em diversos interrogatórios, enfrentei manobras de parlamentares que tentavam tumultuar ou proteger investigados. Não aceitei. Quem rouba aposentado precisa saber que encontrará resistência. Não apenas a minha, mas a do povo brasileiro.
A CPMI ainda tem trabalho pela frente, e seguirá firme até o fim. O relatório final trará recomendações legislativas, penais e administrativas para impedir que esse tipo de crime volte a acontecer. Mas um legado já está consolidado: o de que o Brasil não tolera mais que os mais vulneráveis paguem a conta da corrupção.
Defender os aposentados é defender a dignidade do país. É proteger quem construiu a nação antes de nós. É reafirmar que a lei existe para todos, inclusive para aqueles que sempre acreditaram estar acima dela.
Continuarei honrando essa missão com a mesma firmeza com que servi por 25 anos na Polícia Militar. No Congresso, levo essa mesma postura: a de não recuar diante de quem ataca o que é público, o que é justo e o que é de direito.
Enquanto eu estiver aqui, essa luta não terá trégua. E cada brasileiro que teve um centavo roubado saberá que tem, em Brasília, uma voz que não se cala e não se curva.
*Coronel Fernanda é autora da CPMI do INSS e deputada federal por Mato Grosso.
Opinião
No Brasil, o câncer ainda depende da renda para ser curado
No Brasil, o acesso ao diagnóstico e ao tratamento do câncer ainda pode depender da condição financeira do paciente. Essa é uma realidade que expõe, de forma clara, as limitações das políticas públicas de saúde e a dificuldade histórica do país em garantir acesso igualitário ao tratamento.
Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) mostram a dimensão do problema: o país deve registrar cerca de 781 mil novos casos por ano entre 2026 e 2028, sendo aproximadamente 518 mil casos anuais, excluindo tumores de pele não melanoma. Mato Grosso deve registrar cerca de 8.680 novos casos de câncer por ano nesse mesmo triênio, totalizando cerca de 25,9 mil novos casos. Isso coloca Mato Grosso entre os estados com maiores taxas de incidência do país.
Na prática, pacientes de baixa renda frequentemente chegam ao sistema de saúde com a doença em estágio avançado, o que reduz significativamente as chances de cura. Já aqueles que têm acesso à medicina privada costumam descobrir o câncer mais cedo, quando o tratamento é mais eficaz.
O tratamento do câncer no Brasil expõe a ineficiência do Estado em proteger seus cidadãos. Em 2025, o brasileiro trabalhou 149 dias — cerca de cinco meses — apenas para pagar impostos. Aproximadamente 40,82% da renda foi destinada ao pagamento de tributos diretos e indiretos. Ainda assim, mesmo diante de uma das maiores cargas tributárias do mundo, os governos, ao longo de décadas, não implementaram medidas de saúde capazes de garantir condições eficazes e igualitárias de tratamento entre as diferentes classes sociais.
De forma objetiva, pode-se afirmar que a população mais pobre continuará morrendo mais, sofrendo mais, enfrentando maiores mutilações e limitações após o tratamento do câncer no país. Além disso, permanecerá mais tempo afastada de suas atividades profissionais e sociais, apresentará maiores taxas de aposentadoria precoce e menor produtividade, gerando impactos familiares e sociais relevantes. Em resumo, morrerá mais jovem, após enfrentar mais dor e sofrimento — consequências diretas de diagnósticos tardios e da incapacidade do Estado de oferecer uma saúde de melhor qualidade e mais equitativa.
É uma constatação que não pode mais ser ignorada: no Brasil, o tempo do diagnóstico ainda define quem tem mais chances de sobreviver.
Isso ocorre justamente em um momento de importantes avanços na medicina. Hoje, contamos com tratamentos mais personalizados, imunoterapia e o uso crescente de tecnologias para diagnóstico precoce. No entanto, o acesso a essas inovações ainda não é igual para todos.
O acesso ao diagnóstico precoce e ao tratamento adequado não pode depender da renda. Trata-se de um direito e de uma responsabilidade direta do Estado.
O Dia Mundial de Combate ao Câncer, em 8 de abril, reforça a urgência desse debate. Não basta avançar na tecnologia — é preciso garantir que ela chegue a toda a população.
Em um ano eleitoral, essa realidade precisa deixar de ser apenas um diagnóstico e se tornar prioridade. É fundamental que propostas concretas para o enfrentamento do câncer — especialmente no acesso ao diagnóstico precoce — estejam no centro do debate público.
Como médico oncologista, professor e cirurgião, reforço: nenhum avanço substitui a prevenção. A alimentação equilibrada continua sendo um fator essencial na redução do risco de câncer, inclusive para quem já enfrentou a doença.
O Brasil vive um paradoxo entre avanço científico e desigualdade no acesso. Enfrentar o câncer exige mais do que tecnologia — exige decisão, investimento e compromisso com a equidade.
O enfrentamento do câncer no país não é apenas um desafio médico. É, sobretudo, uma escolha política — e essa escolha define, na prática, quem terá acesso à vida.
Dr. Wilson Garcia, Médico oncologista, professor e cirurgião, combatente da mortalidade por câncer no país.
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